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Dívida Imposta pela União

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Dívida imposta pela União

A Federação destruída pelo projeto neoliberal

Roberto Requião, senador, PR

05/02/2018

O que está em jogo nas próximas eleições não é apenas o imperativo de derrubar o grupo neoliberal que está no poder, mas a retomada do projeto desenvolvimentista mediante a liderança de Lula. Não só isso. A face ostensiva do neoliberalismo esconde um aspecto tão ou mais perverso que ele, a saber, a virtual destruição da Federação, pela qual os Estados perderam totalmente a autonomia e, mergulhados numa profunda crise financeira que lhes foi imposta pelo Governo federal, já não podem fazer políticas públicas nas áreas de saúde, educação, segurança e infraestrutura.

O que está acontecendo no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Norte, no Rio Grande do Sul, em Minas Gerais, assim como em vários outros Estados da Federação, é o reflexo da política de agiotagem que o Governo central, desde Fernando Henrique, lhes impôs na forma de uma dívida ilegítima e imoral. Fala-se em corrupção ou incompetência dos governos estaduais. Existe sim. Entretanto, o que foi roubado deles por conta da dívida que considero nula é centenas de vezes maior que o fruto da corrupção. Em sua origem, a dívida que não deveria existir, pois foi paga pelos cidadãos dos Estados, se elevava a 111 bilhões em dinheiro de hoje. Os Estados pagaram 277 bilhões. E ainda devem 493 bilhões de reais.

Os programas de pagamento que estão sendo inventados por Henrique Meirelles para supostamente amenizar a situação dos Estados são uma farsa. Reduzem-se a adiamentos. E são sobretudo um artifício para outra infâmia, a privatização de empresas e patrimônios estaduais. No governo do Paraná, ao qual concorrerei, jamais aceitarei essa violação da soberania estadual. E tentarei trazer comigo outros governadores, que estão na situação comum de não poder realizar políticas públicas devido à crise financeira provocada pela dívida e pela recessão, para uma ação imediata de anulação das dívidas junto ao Governo federal, que pode começar até mesmo antes das eleições. Lula estará conosco nessa empreitada. Como não pretendemos apenas anular a dívida pendente, mas receber de volta a parte que foi paga indevidamente, os recursos daí advindos poderão ser a base de uma política de crescimento econômico e de emprego, de estilo keynesiano, a partir dos Estados.

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