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Economia para Indignados

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A sanha destruidora de empregos da Lava Jato

Roberto Requião, senador, PR

07/05/2018

O procurador Carlos Lima, pago pelo Tesouro Nacional para defender a ordem legal no país, fez a patética declaração de que a Lava Jato não se preocupa em proteger empregos, como se emprego, e não o combate à corrupção, não fosse a base da ordem social. Certamente com o dele e com o de seus parceiros ele se preocupa. Estudou, chegou aos 20 anos com todos os dentes, mergulhou em apostilas, fez um concurso público, e tornou-se dono de um emprego vitalício, um dos mais bem remunerados e seguros da República, dando-se ao luxo de jogar na cara do povo, principalmente dos 2 milhões de inocentes que perderam seus empregos com a Lava Jato, que não está preocupado com os empregos deles.

Não quero entrar em detalhes técnicos, em especial na avaliação do que constitui responsabilidade social num agente público, pois a moral brasileira está degradada a partir da Presidência. Que a Lava Jato não era apenas destruidora de empregos sabíamos todos. A novidade é que um de seus próceres venha a público para justificar o injustificável, tripudiando sobre a desgraça de vários milhões de brasileiros, contando desempregados e suas famílias. Não são ignorantes. São facínoras. Podem dizer o que querem, defender seus preconceitos, atacar inocentes, denunciar sem provas, e tudo isso sem ter que dar satisfação a ninguém, inclusive à ordem social. Graças à temerária Constituição de 88, que Ulysses Guimarães acreditou ser cidadã.

A tragédia brasileira é que o combate à corrupção, desejado por todos os honestos, poderia ter sido realizado sem perda significativa de empregos. Como acontece em todo o mundo civilizado, e principalmente nos Estados Unidos, se ocorrem problemas de corrupção numa determinada empresa, seus donos e executivos, uma vez investigados e processados, se forem considerados culpados são condenados, mas a empresa é preservada, pois ela é um patrimônio tecnológico e de geração de empresa para o conjunto da coletividade.

O maior economista do século XX, John Maynard Keynes, dedicou boa parte de sua vida a defender um sistema econômico de caráter socialista que protegesse o emprego. Ele não via nenhuma razão pela qual no sistema capitalista houvesse taxas elevadas de desemprego permanente. A desgraça brasileira é que não temos economistas keynesianos no poder, e que temos, no cerne do poder, ignorantes de economia como Carlos Lima. Por casualidade, ele e seus colegas receberam em suas mãos um poder destruidor de empregos de poucos paralelos no mundo. Claro, isso não durará permanentemente. Em algum momento, no futuro – e espera-se no futuro próximo -, Carlos Lima vai se embaraçar na sua própria teia.

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