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Economia para Indignados

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Política de preços da Petrobrás põe em risco mercados financeiros ocidentais

J. Carlos de Assis, economista, RJ

29/06/2018

A política de preços adotada por Pedro Parente, o ex-presidente da Petrobrás, seguida pela atual Diretoria e patrocinada pelo presidente Michel Temer coloca em risco o sistema financeiro ocidental, tendo em vista suas consequências nos mercados mundiais de soja e de milho.

A liberação dos preços dos combustíveis asfixiou a receita dos caminhoneiros, o que desencadeou um efeito em cascata: apavorado com as consequências para o povo, no sistema de transportes, da greve dos caminhoneiros, o governo concedeu ao diesel por eles usado como principal combustível um subsídio de 46 centavos por litro.

Para conciliar esse subsídio com a política de preços da Petrobrás, vinculada aos mercados internacionais, inventou financiá-los com cortes nos orçamentos públicos, inclusive de educação, saúde e segurança; paralelamente, forçou que governadores aceitassem um corte de 7 centavos no ICMS, o que simplesmente os enfureceu, pois o próprio governo os depauperou com uma política continuada de centralização financeira e pagamento de juros e amortização de dívida indevida.

Ainda com vistas à pacificação dos caminhoneiros autônomos, o Governo baixou uma tabela com preços mínimos dos fretes, o que enfureceu os donos do agronegócio, para quem a tabela inviabiliza seus negócios na esfera do transporte.

Finalmente, diante de várias ações de inconstitucionalidade impetradas pelos donos do agronegócio contra o tabelamento dos fretes – tecnicamente, eles tem razão, porque o tabelamento num setor competitivo é inconstitucional mesmo – o assunto foi remetido ao ministro Luiz Fux, um absoluto neófito na matéria.

Adiando, do dia 28 de junho último, sua decisão sobre a matéria, Fux deveria dar seu parecer "salomônico" nesta quinta-feira. Não deu. Adiou para o dia 27 de agosto. Até lá, vigorará o caos nos mercados, não só de commodities, mas também nos demais mercados financeiros interconectados com os de commodities.

Se alguém pensar que é algo muito parecido com 2008, não é mera coincidência. Entretanto, o sistema financeiro internacional não especulativo pode ficar tranquilo: no mundo real das trocas de mercadorias, analisadas por Marx, hoje comandado pela China e pelos seus associados orientais, não há risco de uma debacle financeira: Pequim, o grande guardião do capitalismo ocidental, entrará em ação para estabilizar os mercados, mesmo porque Donald Trump não é muito simpático a Wall Street para fazê-lo.

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