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Economia para Indignados

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Economia para Indignados

Uma saída financeira para o Rio e para o Brasil

Roberto Requião, senador, PR

20/02/2018

Até as pedras do cais do Rio de Janeiro sabem que a crise de segurança no Estado que logo estará sob intervenção federal se desenvolve no contexto de uma crise muito mais ampla nas áreas sociais, principalmente no desemprego, na degradação da saúde e da educação, na insuficiência de moradias decentes. Entretanto, o ministro da Fazenda de Temer anuncia que os recursos a serem dados à área de segurança serão remanejados de outras áreas. Ou seja, as raízes profundas da crise ficarão inalteradas ou agravadas.

Se o honrado general Braga Netto não se der conta de que, junto com a segurança, as demais áreas sociais do Estado precisam de recursos novos, o Exército, não importa quantos bandidos vier a matar seguindo o conselho do general Augusto Heleno, sairá desmoralizado dessa operação. O Alto Comando terá de avaliar se dá um ultimato a Meirelles, através de Temer, ou se se humilha perante o país e o mundo como nos novos capitães do mato, agora correndo atrás não de negros, mas de pobres em geral.

É hora de reconhecer as situações por seus nomes. O Governo Temer traiu o povo brasileiro ao abster-se de fazer uma política de desenvolvimento, confiando apenas no poder da publicidade. Financeiramente, fez um déficit gigantesco para pagar juros estratosféricos e desnecessários sobre a dívida pública segundo a pressão e os desejos do mercado. Agarrou-se à ortodoxia neoliberal para impedir o investimento público, inclusive na Petrobrás, carro-chefe dos investimentos na economia brasileira.

É hora de reverter isso. Perceberam que os altos déficits do Governo Temer não provocaram inflação? Isso não deveria levar à conclusão de que déficit não resulta necessariamente em inflação? Portanto, coloquemos os pontos nos is: se o general Braga quiser aliados sérios em sua missão, que exija do Governo Temer que financie de forma satisfatória um grande programa social no qual se enquadre o programa de segurança. Não importa que seja financiado por investimentos deficitários. Isso acontece em todo o mundo civilizado, sem inflação, em momentos de crise, inclusive nas guerras. E o que for investido reverterá logo na forma de aumento da receita pública, reduzindo a dívida pública.

Se aceitar as restrições de Meirelles para gastos públicos sociais, salvando apenas a segurança, o general Braga ficará sob o cerco de um grande círculo de miseráveis no Rio. O Exército poderá sair matando bandidos e, sobretudo, suspeitos de bandidos em toda a cidade, e sobretudo nas favelas, caracterizando-se como um matador de pobres, de negros, de discriminados, uma espécie de moderna força nazista voltada contra o próprio povo. É um papel à altura de Temer e de Meirelles, mas não o papel de um Exército que combateu nazistas.

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