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Geopolítica

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Geopolítica

Caráter perverso da política americana pós-guerra fria

J. Carlos de Assis, economista, RJ

07/10/2018

O fim do socialismo real na União Soviética, associado à abertura econômica chinesa, tornou o mundo relativamente menor para a parte do planeta antes acorrentada aos padrões imperiais norte-americanos e russos da Guerra Fria. Uma era sem fim de prosperidade deveria ter sido iniciada sobre os escombros de ideologias desviadas. A hipocrisia democrática, do lado norte-americano, e o socialismo de pés de barro, do lado soviético, poderiam ter dado passagem a uma geopolítica do desenvolvimento planetário. Não foi.

A culpa pela miséria que continua disseminada no planeta é quase exclusivamente dos governos dos Estados Unidos. Considerando-se vitoriosos na Guerra Fria, eles avançaram sobre espaços territoriais vinculados à antiga União Soviética a fim de estabelecer seu poder imperial sobre eles. Em poucos anos se apropriaram estrategicamente de nove países do Leste europeu e depois mais três, tentando em seguida apoderar-se totalmente da Ucrânia. Dessa vez os russos consideraram um excesso. Barraram militarmente o poderio da OTAN.

Nesses últimos anos, que deveriam assinalar a aquisição dos bônus do fim da Guerra Fria para ricos e pobres, e não só para ricos, os Estados Unidos não moveram uma única palha para promover o desenvolvimento dos países pobres. Ao contrário, espalharam ferro e fogo pelo planeta. Só na era de Obama foram cinco guerras, aí incluídas a infame primavera árabe estimulada pelos Clinton, tendo daí resultado, entre outras calamidades, a destruição da Líbia e a quase destruição da Síria – finalmente defendida pela intervenção russa.

O papel da promoção da paz no mundo vem sendo promovido pela China e pela Rússia, a despeito da resistência de Israel, o mais belicista dos países do globo. É importante assinalar que um esforço extraordinário de desenvolvimento latino-americano resultou da ação do Governo Lula, desde o Mercosul à Unasul, assim como articulações informais como o Foro de São Paulo. Nesse sentido, fizemos mais pela paz universal que os Estados Unidos com sua fixação na guerra e no objetivo de se tornar o hegemon do mundo, acima da Rússia.

O presidente Trump sinalizou com uma mudança estratégica dos Estados Unidos no sentido nacionalista, mais favorável para nós do que o intervencionismo político. Entretanto, os geopolíticos belicistas reunidos em torno de seus sistemas de informação insistem em derrotar a Rússia, não se sabe com que propósito. Diante disso, as energias americanas que poderiam estar concentradas num projeto de desenvolvimento econômico em parceria com empresas privadas estão sendo gastas inutilmente numa geopolítica tosca, marcada pela extrema financeirização, a qual tornou os pobres verdadeiros escravos dos bancos.

No Brasil, o caráter primitivo do governo Temer sequer percebeu o jogo internacional em que está nos metendo. Seu objetivo central tem sido entregar a Eletrobrás e o pré-sal, nossa maior riqueza, às multinacionais do petróleo. Por isso nossa esperança é um novo governo. Uma virada estratégica no sentido de uma articulação definitiva com os BRICS nos colocará no rumo do desenvolvimento. Considerando-se o papel chave que o Brasil pode ter na articulação desenvolvimentista com o resto da América Latina e com a África, poderemos garantir, para nós mesmos e para esses aliados, finalmente, os bônus do fim da Guerra Fria.

Pense agora, você, se o próximo presidente da República brasileiro for Bolsonaro, e que tipo de desenvolvimento e de relações internacionais poderemos ter em benefício do povo?

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