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Geopolítica

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O debate político enfim chega ao nível dos BRICS

J. Carlos de Assis, economista, RJ

06/10/2018

Tivemos, nessas eleições, os piores e mais desqualificados debates na esfera presidencial. Contudo, conseguimos ultrapassar esse limite de mediocridade na esfera estadual, notadamente no Rio de Janeiro. No plano federal, porém, Fernando Haddad salvou em parte seu programa ao ressaltar a importância para o Brasil de ampliar sua participação no BRICS. Antes tarde do que nunca. De fato, uma efetiva integração no BRICS é o único caminho possível para ampliar nossa inserção geopolítica no mundo de forma autônoma.

A eleição de Haddad, agora plausível, pode completar o ciclo de avanços geopolíticos iniciados na era Lula com o Mercosul e a Unasul. Colocando de lado a questão ideológica, que só interessa ao pensamento retrógrado americanófilo, a China nos abre mercados, tecnologias, infraestrutura, neste caso através da fantástica Rota da Seda, com perfil para integrar praticamente todo o mundo. Só a estupidez ideológica que ainda resiste entre os néscios pode colocar empecilhos a uma aproximação mais estreita com os chineses.

Sim, é verdade que os norte-americanos não gostam disso. Aliás, eles não gostam de nada que esteja fora de sua órbita específica de dominação. Foi para isso que a NSA, sua maior agência de espionagem, vigiou a Petrobrás e a própria Presidenta da República em 2015. Parece que se arrependeram. O então presidente Obama resolveu o problema dizendo que todos os países se espionam reciprocamente. Imagine, contudo, se a espionagem contra a Petrobrás fosse oriunda de uma agência chinesa, dirigida também ao Planalto.

Torço para que os novos dirigentes do país compreendam os grandes desafios que se colocam ao Brasil no plano da geopolítica mundial. Na verdade, dada sua importância no mundo, são os Estados Unidos que devem ser compreendidos inicialmente. Eles não têm amigos, têm interesses. E o principal interesse deles é abrir espaço de investimento para suas empresas privadas. Eis um ponto nevrálgico de diferença com os chineses. Eles investem de acordo também com interesses geopolíticos próprios e de seus aliados.

Os investimentos chineses pelo mundo são principalmente estatais, mesmo que revestidos de uma capa privada. Isso lhes dá imensa flexibilidade, que os Estados Unidos não tem. Um grande investimento estatal norte-americano no exterior exigiria aprovação prévia do Congresso num processo de negociação extremamente complexo. Mesmo os investimentos internos da União requerem negociações com o Parlamento. A diferença desse processo em relação à China é gigantesca. E isso deixa os norte-americanos muito pouco à vontade.

Para compensar essa deficiência estrutural nas suas relações externas os Estados Unidos pesam a mão na ideologia. E os condutores ideológicos desse debate, internamente, são os que ousam, nessa altura do século, e depois do virtual fim do comunismo no mundo, vislumbrar uma espécie de perigo americano revigorado no horizonte. Acontece que toda água vai para o mar. Nossos aliados estratégicos no mundo atual são, inequivocamente, China, Rússia e Índia. A aliança supra-ideológica com eles nos colocará no mais alto pedestal do desenvolvimento econômico e social do planeta, caso tenhamos o devido suporte político.

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