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Política para Indignados

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Política para Indignados

A degradação completa do sistema partidário do país

J. Carlos de Assis, economista, RJ

27/09/2018

Fora do ambiente frio das pesquisas de opinião, o que se revela no Brasil, e sobretudo no Rio, é um sentimento de nojo em relação à política e aos políticos. É óbvio que isso é um equívoco. Dou testemunho de muitos políticos totalmente entregues à defesa do interesse público, o que pode ser comprovado, facilmente, pela forma como votaram os projetos do governo Temer - estes, sim, atendendo ao interesse de verdadeiras quadrilhas, em especial a quadrilha do petróleo, do agronegócio, das armas e da bíblia falsificada.

É um imperativo da democracia que a política – e seus condutores, os partidos políticos – devem ser reabilitados. Do contrário o interesse público não poderá afluir, de baixo para cima, desde o cidadão até os órgãos máximos do Estado. Entretanto, isso jamais acontecerá no Brasil sem a influência de instituições que garantam o processo de representação parlamentar. E é fundamental que se elimine a hipocrisia do fundo partidário, que coloca os cidadãos à mercê das burocracias dos partidos.

Vejamos como isso funciona. Uns poucos picaretas que manejam grandes populações subalternas – por exemplo, evangélicos desonestos – conseguem assinaturas suficientes para criar um partido. Uma vez criado, o partido arregimenta alguns deputados para lhe dar base partidária a fim de ter direito ao fundo partidário. Daí em diante o partido vira um negócio manejado por burocracias, sem ideologia e sem doutrina. Os parlamentares que lhe deram o nome podem saltar facilmente de partido se encontrarem um negócio melhor.

Não é preciso dizer que tudo é feito no interesse das burocracias e dos próprios trânsfugas partidários, sem qualquer relação com o interesse público. O cidadão sequer percebe o que está acontecendo. Entretanto, se os parlamentares, filiados formais do partido, aumentarem muito, a burocracia partidária ganha um bônus: pode ser tanto uma diretoria importante de estatal até um ministério na Esplanada, os quais devem ser âncoras da base do governo. Claro, até que alguém apareça com melhor negócio, como foi no impeachment.

É ou não uma prática nojenta? Assim mesmo, na qualidade de filósofo político, devo dizer que não temos alternativa a não ser consertar o sistema, e não simplesmente negá-lo. O processo de limpeza e endireitamento vai demorar. O primeiro passo, no meu horizonte de tempo, é aproveitar as próximas eleições para constituir uma maioria consistente no Congresso. Isso é muito difícil, costumam dizer meus amigos. Acontece que, do meu ponto de vista, ou fazemos isso agora ou tentamos adiar para 2022, sem garantia de condição melhor.

A opção imediata é escolher os melhores candidatos a deputado federal e a senador tendo em vista seu desempenho prévio ou sua credibilidade futura. Se querem minha opinião, apontaria para o senado, independentemente de partidos, Lindebergh Farias, do PT, e Chico Alencar, do Psol, ambos com credibilidade muito maior que César Maia e Miro Teixeira. Para deputada federal, apontaria por sua ação parlamentar Jandira Feghali (PCdB) – e Glauber Braga (Psol), se fosse mais de um voto para a Câmara.

Você nota que não tenho qualquer preferência partidária. Meus votos são para personalidades. Essa será a característica das eleições deste ano: como regra geral, votaremos em homens e mulheres, não em partidos. Isso é prenúncio de uma reforma partidária que se anuncia profunda. Vai de encontro ao espírito do Movimento pela Democratização do Congresso Nacional, que apresenta no site frentepelasoberania.com.br a listagem completa, não só de bons candidatos, mas dos parlamentares que, ao longo dos três últimos anos, enxovalharam a vida partidária brasileira ao ponto de torná-la irrelevante.

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