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Política para Indignados

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Política para Indignados

A estratégia de Bolsonaro para ganhar perdendo: mandato para matar!

J. Carlos de Assis, economista, RJ

04/08/2018

Qualquer pessoa que tenha lido meus artigos ou visto vídeos meus nas últimas semanas sabe que tenho apostado todas as fichas na renúncia de Temer, voluntária ou forçada, a fim de que seja aberto espaço para um governo tecnocrático que possa enfrentar a terrível crise mundial que se avizinha, superposta às nossas próprias crises. Obviamente, sabia das dificuldades da renúncia de Temer. Ele se empenhará em manter seu mandato até o último segundo, confiado em que, até lá, possa se livrar das investigações da Polícia Federal em três inquéritos.

Supus que amigos de Temer pudessem alertá-lo para a possibilidade de obter, em troca da renúncia, o instituto da Graça, pelo qual todos os seus pecados passados seriam perdoados. Coloquei isso por escrito e em vídeo, mas não achei interlocutor de credibilidade que pudesse levar esse recado ao Presidente. Por outro lado, seria necessário, para esse esquema funcionar, que Temer renunciasse antes de obter a graça, algo que talvez não esteja disposto a fazer. Enfim, todo esse esquema, usando expressão do senador Roberto Requião, não passou de puro idealismo.

Apoiado no materialismo histórico, Requião considera também idealismo minha proposta de Pacto Social antes das eleições. Minha insistência nisso se justifica porque não temos governo; o de Temer é um fantasma de governo dominado pela corrupção e pela volúpia do dinheiro por parte da maioria dos senadores e deputados que o apoiam. Essa gente não quer saber de nada de interesse público. Ironizou minha proposta de convocação extraordinária do Congresso, durante o recesso para que se pudesse tomar decisões de retaguarda do país em relação à crise externa.

O Congresso está sendo convocado, sim, mas para mais uma picaretagem grotesca perante a Nação: o esforço concentrado para tentar apoiar, mais uma vez, a venda a preço de banana de nossas hidrelétricas. Esse esforço concentrado, comprado com dinheiro público via emendas parlamentares, foi a moeda de troca para comprar parlamentares durante todo o mandato de Temer, como tinha sido, nesse caso com dinheiro da Fiesp, para comprar o impeachment de Dilma. Denunciei que a Fiesp estava por trás desse outro esforço "concentrado", mas ninguém deu bola.

Até hoje, domingo, mantive meu propósito de encontrar líderes de credibilidade dispostos a convocar o Pacto. Lembrei-me do trio histórico das Diretas-Já. Os mais velhos se recordam: OAB, ABI e CNBB. Hoje, reduzido a uma, a CNBB, pois as outras duas instituições estão entregues à direita retrógrada. Mesmo a CNBB, porém, tornou-se não operacional, em razão de divisões internas entre os bispos. Diante disso, tentei uma segunda linha do Pacto. Tive de desistir: Sarney, o patrocinador do grande Pacto de 88, me aconselhou também a deixá-lo para depois das eleições.

Como os leitores do site frentepelasoberania.com.br sabem, estou dedicado a ajudar na renovação dos legislativos federal e estaduais através do Movimento pela Democratização do Congresso Nacional. É nisso que me empenharei agora, junto com um grupo de idealistas de todo o país. Teremos, além do site, a âncora de comitês em todas as capitais e grandes cidades. O próprio site indica a operacionalidade do Movimento. E seu objetivo é autoproclamado: vamos varrer o lixo que está no Congresso, renovar o mandato dos bons e abrir espaço para os novos.

Apenas indiretamente entraremos na questão das eleições presidenciais. Isso porque está praticamente definido que Bolsonaro ganhará as eleições, qualquer que seja seu resultado. Um filho dele, candidato ao Senado no Rio, foi claro: meu pai, disse que não quer ganhar a eleição. Quer se colocar numa posição forte, do ponto de vista eleitoral, para conquistar o governo tendo em vista o caos que se instalará no Brasil depois dela. Assim, ele tem todos os lados do dado: se ganhar, será ditador escolhido pelo povo; se perder, será ditador dos generais da reserva.

Apoio econômico para isso ele tem: está a seu lado o economista Paulo Guedes, ultraneoliberal, articulador do apoio dos meios de comunicação ao impeachment de Dilma. Ele é um Chicago-boy, parceiro daqueles economistas facínoras que legitimaram os massacres das oposições no Chile sob o mando de Augusto Pinochet. A filosofia de Bolsonaro, como se sabe, é liquidar fisicamente com uns 30 mil "esquerdistas", se necessário, para estabilizar na marra um país que está fragmentado politicamente pela presença de quase 40 partidos em disputa de verbas públicas.

A única forma de enfrentar esse desafio gigantesco que paira sobre a sociedade brasileira é criar uma barreira contra a ditadura no Congresso Nacional. Isso impõe que iniciativas como o Movimento pela Democratização do Congresso Nacional sejam encaradas como estratégicas. Contudo, só será possível que esse Movimento tenha eficácia se o seu site bombar na internet. Precisamos de pouco: sua assistência, sua leitura, seu comentário em grupos. Temos que sair de nossa caixinha e começar a falar para o Brasil e para o mundo em defesa da sociedade e do interesse nacional.

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