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Política para Indignados

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Política para Indignados

A foto que prova que Bolsonaro não mudou

J. Carlos de Assis, economista, RJ

08/09/2018

A fotografia de Jair Bolsonaro na qual, na condição de convalescente, ele aparece simulando ter nas mãos uma metralhadora não surpreende quem tenha penetrado na sua personalidade simplória. Já disse aqui que o projeto de Bolsonaro não é ganhar as eleições; é se colocar numa posição de ganhar as condições de um ditador diante de um país estraçalhado. Isso o filho dele, Flávio, deixou claro numa conversa com um jornalista amigo no Rio de Janeiro, na data de lançamento de sua candidatura presidencial.

Bolsonaro reduz o mundo aos defensores do bem contra o mal. Ele, naturalmente, é o lado do bem. O mal é representado pelos que defendem direitos sociais complexos, como o dos gays, interesses das minorias, como o dos índios, liberdade política infinita contra a regulação democrática das relações sociais. Como portador desses "valores" ele sabe que, no momento, é minoria. Mas na medida do recrudescimento da crise econômica, social e política do país, pelos seus cálculos chegará o momento de "consertar" o país.

A barafunda ideológica em que se tornou a política brasileira impede uma visão clara do fenômeno Bolsonaro. Ao contrário da sociedade brasileira, que atingiu altos níveis de complexidade, ele é de uma simplicidade insultante. Um historiador que, no futuro, venha a debruçar-se no atual período histórico brasileiro ficará atônito com essa situação na qual uma figura absolutamente boçal, sem qualquer predicado político especial, ameace chegar ao poder central, mesmo que sem querer muito, pelo menos no momento.

É claro que grande parte da responsabilidade por isso é da Grande Mídia. Tomemos um exemplo, o do debate da Globo com Jair Bolsonaro. Já escrevi sobre isso mas vale voltar ao assunto por causa do atentado. Os entrevistadores da Globo, William Bonner e Renata Vasconcellos, não conseguiram fazer uma única pergunta de cunho político e econômico. Limitaram-se aos aspectos culturais e sociais, desconhecendo inclusive os angustiantes problemas econômicos que suportamos. Como culpar apenas Bolsonaro pela manipulação midiática?

Igualmente importante é a companhia da campanha presidencial de Bolsonaro. Que coisa deplorável. O único que escapa na margem é Ciro Gomes, mas com um discurso econômico ambíguo e, sem que o saiba, de fundo ortodoxo ou neoliberal. Há uma dúvida de que se trata de convicção dele ou de um truque para enganar os conservadores. De qualquer modo, serei obrigado a votar nele. E a razão mais profunda, de caráter trivial, é que ele é melhor do que Bolsonaro, diretamente ou indiretamente, se este não puder concorrer.

Uma confusão deve ser removida do quadro político brasileiro: o atentado contra Bolsonaro não tem nada a ver com um atentado contra a democracia. Isso teria o significado de um fato político, e não tem. As condolências prestadas por adversários presidenciais e dirigentes dos três Poderes não tem nenhum grau de sinceridade: é pura hipocrisia. Querem se aproveitar da situação para aparecerem. Nesse contexto, Bolsonaro, empunhando uma metralhadora fictícia, é uma boa advertência: ai de vós, hipócritas. Bolsonaro não mudou.

Vejamos uma questão final: como a democracia brasileira, se verdadeira, vai se livrar de Jair Messias Bolsonaro? Estamos com um Movimento na rua para dar resposta a essa pergunta. Nossa única alternativa é conquistar a maioria no Congresso Nacional nas próximas eleições. Difícil, mas não impossível. Construímos no site frentepelasoberania.com.br uma ponte para conquista dessa maioria. Está lá a lista dos vendilhões da Pátria, que precisam ser expelidos do Parlamento. E estão lá aqueles que vamos apoiar nas eleições, uma vez subscrito o Decálogo de Compromissos que lhes estamos propondo. Com maioria no Congresso, não precisamos temer Bolsonaro ou qualquer coisa que lhe seja parecido.

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