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Política para Indignados

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Política para Indignados

A preparação do general Braga para as próximas eleições

J. Carlos de Assis, economista, RJ

18/02/2018

É possível que passe pela cabeça de Temer a idéia de lançar o general Braga Netto como candidato à Presidência da República. É possível até mesmo que o general Braga Netto, assim como a própria intervenção tenham sido inventados para se viabilizar um candidato à Presidência viável. Tudo é possível nessa República vilipendiada. Onde o Presidente rouba, e a Câmara dos Deputados perdoa, as instituições podem ser manipuladas à vontade desde o contínuo do Palácio do Alvorada até o Alto Comando do Exército.

Até o momento as manobras tem sido perfeitas pelo lado de Temer. Diante da degradação dos sistemas de segurança nos Estados e da crise nos serviços públicos, e em particular no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Norte, certamente pairou sobre as mentes dos guardiães da República, afundados em corrupção, a noção de que era necessário se aproveitar a situação a fim de partir para uma manobra salvacionista, não do Rio ou do Governo, mas deles próprios. Como num jogo perdido de xadrez, passaram à ofensiva sem escrúpulos. Antes que os generais nos perturbem, tragamos os generais para o nosso lado, numa missão impossível!

As consequências são múltiplas. Não é necessário que o general Braga tenha êxito nos três primeiros meses, entrando no tempo das eleições. Como o samurai de Kurosawa, basta que fique parado observando a batalha. Sua presença é suficiente para infundir confiança às próprias hostes e medo aos demais. Muito provavelmente pode haver até um tempo de acomodação à intervenção que servirá para cobrir de louros a fronte do general. É por essa janela de oportunidade que o presidente Temer vai se aproximar e dizer: O senhor é um vitorioso no Rio, general. É preciso que seja também no Brasil, com apoio do PMDB!

É importante assinalar que, do ponto de vista eleitoral, não há necessidade de provas de desempenho para se ganhar. Collor foi a prova cabal disso em nossa história recente. Eleições se ganham no campo simbólico. É provavelmente nisso que confia a equipe suja de Temer. A simples presença do general, fardado, numa rede de televisão infundirá nos eleitores a confiança necessária de que será logo superado o problema de segurança, não importa o número de cadáveres que continuarem a ser atirados nas valas do Grande Rio.

Não tenho maiores informações sobre o general Braga Netto, exceto uma breve descrição de seu caráter por um amigo que o conhece. Resume-se a uma frase: Escrupulosamente profissional. Seria uma sorte se atuar dessa forma. Há duas outras indicações positivas: sua breve intervenção na entrevista coletiva, na qual atribuiu o excesso de violência no carnaval a um exagero da cobertura da mídia. E o escopo relativamente modesto que atribuiu a suas próprias funções como coordenação da segurança no Estado.

Os sinais negativos vieram de Temer. Falou em intervenção nos Estados, e não no Estado do Rio. Aparentemente, está se preparando operações em larga escala para cercar as eleições de restrições de segurança. Isso corrobora um planejamento de continuidade no poder a despeito da vontade popular. Espera-se que o Alto Comando do Exército perceba a fria em que um governo ilegítimo e fracassado, agressor da soberania nacional, o está metendo. A crise não é de segurança. A crise é do Governo Temer. Se o general Braga se der conta disso, poderá ser, em lugar de um interventor fracassado, uma âncora de eleições legítimas.

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