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Política para Indignados

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Política para Indignados

Desequilíbrio eleitoral na disputa no Rio de Janeiro

J. Carlos de Assis, economista, RJ

24/09/2018

O Estado do Rio de Janeiro, dilapidado, roubado, fraturado, submetido aos processos de corrupção mais torpes da história brasileira, apresenta como candidatos ao Senado figuras como César Maia e Pastor Everardo, e gente como Francisco Dornelles para deputado, todos desqualificados para enfrentar os desafios de um processo de regeneração do Estado e do país. "Não, César Maia é um grande economista", dirão. "Vai ajudar a consertar o Estado". Porém, seria eu um economista tão desqualificado que não veria nele um simples oportunista?

Foi César Maia quem inventou o termo factóide. Ele é tão petulante, tão arrogante, tão pretensioso que foi capaz de inventar uma palavra para qualificar sua própria hipocrisia diante do povo. Factóide é mais ou menos o que se chama hoje de fake news. Enquanto isso significa um truque de adversários do qual somos vítimas nada se pode fazer a não ser denunciar o artifício. Diferente é quando alguém anuncia publicamente que criou um factóide em benefício próprio. Nesse caso, é a divulgação pública de uma maneira de enganar o povo.

O extremo oposto do factóide é a explicitação de interesses pessoais no jogo eleitoral. Francisco Dornelles se candidata a deputado federal com o fim óbvio de conquistar um mandato político enquanto sinecura de final de vida. Em política, questões de idade devem ser consideradas pois implicam consequências para a população. Aparentemente, Dornelles quer morrer no poder. Não lhe satisfez passar a vida toda usufruindo de sinecuras públicas. Quer levar isso para o túmulo, ajudando, eventualmente, a subida de um suplente.

Quanto aos Maia, outro aspecto de sua política é uma espécie de coronelismo urbano reverso, pelo qual pai e filho trocam entre si posições de mando, um tendo feito o filho deputado, outro, já municiado com a Presidência da Câmara, tentando fazer do pai senador, talvez por uma atitude filial de agradecimento. Desses dois não se sabe absolutamente nada de contribuição ao processo econômico e político brasileiro. Lembram outras famílias do Nordeste, que passaram pelo poder em brancas nuvens, exceto no apetite para se favorecerem.

Nem tudo está perdido. Confronte César Maia, Rodrigo Maia e Dornelles com o senador Lindbergh e verão a colossal distância entre eles em termos de luta por interesses do povo e da cidadania. Faço essa comparação sem qualquer víeis partidário. Não sou do PT. Tive grande dificuldade em votar em Dilma no segundo mandato, tendo em vista a direção econômica que estava dando a seu governo. Quando nomeou Joaquim Levy para ministro da Fazenda, bandeei-me totalmente, com armas e bagagens, para a oposição.

Veio então o processo de impeachment, e me ficou absolutamente claro que não havia crime de responsabilidade por parte dela. O povo nem sempre compreende isso mas para derrubar uma presidenta da República não basta considerar seu governo ruim. É preciso ter crime definido na Constituição. Lindbergh tinha não só essas razões, mas também razões partidárias para defender Dilma. Fez isso como um leão na tribuna e no plenário do Senado, revezando-se com outra defensora intransigente do processo constitucional, a senador Gleisi.

Quando a Lava Jato tomou conta do sistema político e empresarial brasileiro, Lindbergh foi novamente um leão no Senado, colocando-se contra a corrupção e defendendo sua apuração rigorosa, mas procurando defender as empresas. Nisso, coincidimos inteiramente. Em janeiro de 2015, quando o escândalo havia estourado havia alguns meses, propus ao presidente do Clube de Engenharia, Francis Boghosian, fazer um seminário a respeito. Nossa conclusão: prendam os corruptos mas não impeçam as empresas de funcionar.

O passo seguinte, para testar o caráter de Lindbergh, foi a perseguição a Lula pela Lava Jato. Ele defendeu com garra o ex-presidente. Fez de uma forma que também eu acabei fazendo como jornalista: pediu as provas. Nunca foram dadas. Tudo se baseou em delações premiadas. Na realidade, a Lava Jato liquidou o sistema jurídico brasileiro e as instâncias superiores o confirmaram. Lindbergh deve ter perdido votos com isso. Mas seria difícil agir de outra forma sem perder o caráter, como os políticos que o desafiam.

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