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Política para Indignados

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Política para Indignados

Diferenças cruciais entre os candidatos ao Senado no Rio

J. Carlos de Assis, economista, RJ

26/09/2018

A maioria dos candidatos ao Senado no Rio de Janeiro são farsantes. César Maia pintou as paredes de algumas comunidades da cidade hoje esquecidas, chamou o resultado de Favela-Bairro e agora apresenta isso, na campanha eleitoral, como a própria redenção das periferias metropolitanas. Miro Teixeira, outro candidato ao Senado, limita-se a pedir o segundo voto. O primeiro certamente será encaminhado ao Sistema Globo e a jornalistas de comportamento ambíguo, da Veja, de que foi um fiel escudeiro na Câmara dos Deputados.

Os que tem boa memória vão se lembrar de que Miro protegeu com a lei de imprensa jornalistas envolvidos com os esquemas do notório Carlos Cachoeira, que tentou montar um esquema de proteção ao bicho, no Parlamento, semelhante ao que, em escala maior, a JBS articulou anos depois para a carne. Chama a atenção o fato de que, nessa campanha, tão pobre para a maioria dos candidatos de oposição a Temer, jorre tanto dinheiro, na forma de propaganda de televisão, para César Maia e Miro Teixeira. É só medir o tempo das inserções.

Acho tremendamente injusto no processo eleitoral que candidatos como Chico Alencar, do PSOL, e Lindebergh Farias, do PT, tenham tempo minúsculo de exposição na televisão enquanto figuras como Miro e Maia desfrutam de longas inserções. Este é um dos graves defeitos da legislação eleitoral. Pode-se dizer que se trata de consequência do número das bancadas, mas o fato fundamental é que as bancadas mudam de composição de acordo com o dinheiro que corre nos bastidores para ampliar seu acesso aos fundos eleitorais.

A única escapatória dessa situação de cerceamento eleitoral é a internet. Por aqui podemos fazer o que os jornalões não fazem, isto é, dar informações e críticas descomprometidas à população. Da minha parte, faço com prazer o serviço de limpeza de alguns currículos para pelo menos nivelar as informações essenciais sobre os candidatos. Tenho autoridade para fazer isso porque não pertenço a partido político, não estou alinhado a qualquer ideologia radical, não me filio a correntes políticas e não me vendo.

Entretanto, não pretendo que isso seja assim a vida toda. É claro que, aos 70 anos, não tenho muito tempo. Espero de qualquer forma que em algum momento no futuro próximo tenhamos partidos políticos fundados não em ideologia, mas em objetivos concretos relacionados com o bem estar do povo. Por exemplo, me filiaria alegremente a partido que postulasse a busca do pleno emprego e apontasse claramente qual a política econômica que implementaria para alcançá-lo. Não se trata de prometer, mas de indicar a rota.

Em razão disso, estou mais próximo de Lindebergh e de Chico Alencar do que os outros candidatos ao Senado. Não é uma concordância absoluta, porque gostaria de vê-los abordar com mais determinação o problema da dívida dos Estados junto à União, sem cuja anulação não será possível governar o Rio. No entanto, é muito mais fácil eles abraçarem plenamente essa causa do que César Maia e Miro Teixeira. Estes estão absolutamente alienados dos problemas reais do Rio, e seriam um desastre que o representassem no Senado.

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