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Política para Indignados

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Política para Indignados

O imperativo do pacto social e nacional para superar a crise

J. Carlos de Assis, economista, RJ

15/07/2018

Tenho insistido na proposta do Pacto Social e Nacional para o resgate do país e do povo. Acredito que não há outro caminho para a Nação senão um grande entendimento social e político para superar a profunda crise em que nos encontramos, e à qual vai se superpor uma dramática crise ainda maior no plano das finanças especulativas mundiais. Falo de pacto entre diferentes, não entre amigos. Estes já estão numa espécie de pacto natural de defesa mútua.

Sem um pacto geral regrediremos décadas, talvez séculos na História. O país, neste momento, está inexoravelmente dividido entre esquerda e direita, progressistas e retrógrados, coxinhas e mortadelas. Com base nessa divisão, em face das consequências de uma crise financeira mundial  à qual se somará a crise interna, entraremos numa fase de convulsão social aguda e, no limite, de uma guerra civil.

Temo, porém, que essas palavras minhas sejam tomadas apenas como figuras de retórica, não algo ligado ao mundo real. Por que costumamos, sempre, apelar para metáforas impressionantes, você poderá concluir que esta é apenas mais uma. Não é. Falo de pessoas assassinadas e metralhadas, tanques invadindo ruas, prisões arbitrárias, fuzilamentos sumários, famílias inteiras perseguidas.

Não deve surpreender, pois isto já existe no cotidiano das periferias das metrópoles brasileiras, sobretudo no Rio de Janeiro, onde a proximidade da sede da Tevê Globo dá às favelas tempo exagerado de de exibição na tela de constantes tiroteios a cada dia. Entretanto, ainda assim minhas palavras podem lhe parecer pura retórica. Então vou lhe dizer a razão para o meu medo de uma convulsão generalizada para os bairros das classes médias e para meu medo em particular.

Sim, porque convulsões e guerras civis matam as pessoas. Você viu o que aconteceu na Líbia? Os americanos acharam que era suficiente criar ali uma guerra civil, matar Kadafi e cair fora. Não contavam que milícias similares às que promoveram para a guerra civil matassem seu Embaixador. Tenho um amigo fraterno que foi guerrilheiro no Araguaia. Ele sabe perfeitamente o que é uma guerra civil, em termos atuais, totalmente assimétrica.

Você acha que ainda não estamos num clima de convulsão social, antevéspera da guerra civil. Então, você provavelmente acha natural que 67 soldados tenham sido assassinados no Rio somente neste ano. São baixas de guerra. Ainda não se introduziu no campo da batalha urbana brasileira a guerra química, a guerra bacteriológica, a guerra eletrônica, os homens bomba. Temos uma guerra nascendo.  Não seria, pois, mais razoável que construíssemos o Pacto Social e Nacional que defendo para evitar seu amadurecimento?

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