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Política para Indignados

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Política para Indignados

O perigo não está no centro, mas nos dois extremos

J. Carlos de Assis, economista, RJ

29/09/2018

Um artigo recente de Marcelo Zero, sob o título "o perigo mora no suposto 'centro'", aponta os riscos políticos de uma situação na qual um esquema tão primitivo como o de Jair Bolsonaro deslize para o velho centro e se ancore nele. Vou discordar desse inteligente amigo. O perigo não é o centro, mas simplesmente Jair Bolsonaro. Se ele assumir a Presidência da República passaremos por períodos dos mais turbulentos da vida brasileira, em todos os níveis.

Zero assinala os predicados repelentes de Bolsonaro. É uma caixa de preconceitos, de autoritarismo, de prevenção contra negros e pobres, de neoliberalismo selvagem que ele próprio não entende bem. Evidentemente que se esse falastrão incompetente assumir a Presidência da República, apoiado pelo centro, estaremos em maus lençóis. Entretanto, Zero não considera a hipótese segundo a qual Bolsonaro ganha, mas não exerce a Presidência.

Para um país que, na transição para a democracia, escapou da ambiguidade de Tancredo Neves para, de forma heterodoxa, [terminar] com o [estilo] conciliador de José Sarney, não será surpresa se o próximo presidente da República, em efetivo exercício do cargo, venha a ser, como Sarney, o general Mourão, e não o vitorioso eleitoral Bolsonaro. Você talvez diga: e daí, o general é igual ao Bolsonaro. Mas você pode estar enganado. E vou lhe explicar por quê.

Há muitas diferenças entre um capitão e um general. O general passou por experiências de comando em situações desafiadoras, enquanto o capitão apenas cumpriu ordens. Um general teve de conter arroubos de autoritarismo, enquanto o capitão (como Lamarca) não costuma conter seus impulsos. Um general costuma estabelecer e escolher estratégias, enquanto o capitão se limita a cumprir ordens dentro de uma estratégia dada.

Entretanto, a maior diferença entre um general que venha a assumir a Presidência da República e um capitão que pretende simplesmente exercer a função de chefe da extrema direita no país é seu nível de responsabilidade. Querendo ou não, o general tem por trás de si o olhar do Alto Comando Militar. Se ele fracassar, serão as Forças Armadas, e dentro delas o Exército, que fracassarão. Isso, aliás, aconteceu com a intervenção no Rio de Janeiro.

Entendo que, se há algum risco de golpe no Brasil a curto prazo, depois das eleições, será um golpe militar contra Bolsonaro. As Forças Armadas não tolerarão que um capitão arrivista venha a denegrir a sua honra. E é isto que está em jogo: examinando as desqualificações de Bolsonaro feitas por Marcelo Zero, não há dúvida alguma de que não consiga superar as grandes ciladas econômicas, políticas e sociais que estão à frente.

A solução simples seria que Bolsonaro não suportasse o tamanho de sua arrogância e desrespeitasse recomendações médicas para não voltar à campanha. Uma solução mais complexa seria ele ganhar as eleições e tomar posse, sem qualquer vocação para governar. Por fim, ao exercer nos primeiros meses de governo a evidência de sua incompetência, o Alto Comando do Exército tomasse nas mãos as rédeas do poder num contexto de pacto nacional.

Com qual propósito? Depois de um stress prolongado de três anos, a sociedade brasileira, mergulhada em recessão e desemprego, exigirá de quem estiver no poder um programa imediato contra a recessão e o desemprego. Disso entendemos, nós, os progressistas, independentemente de partidos e de ideologia. Seria um programa keynesiano, em confronto direto com a estupidez neoliberal, que gera e expande o desemprego.

Essa saída seria certamente estimulada, no plano político, pela vitória dos progressistas para a eleição do Congresso. É em razão disso, não de ideologias e partidos, que criamos o Movimento pela Democratização do Congresso e o site frentepelasoberania.com.br Está chegando a hora da verdade. Pedimos que escolha seu candidato proporcional. A lista está no site, entre os que estiveram a favor e contra Michel Temer, o grande traidor do povo. Além disso, o problema não é ser a favor ou contra o centro, mas entre dar apoio ou não aos que subscrevem o Decálogo de Compromissos do Movimento, que também está no site.

P.S. Um amigo me informou que a audiência do face caiu assustadoramente nesse período de campanha eleitoral. É uma contradição, mas é a verdade. As pessoas estariam mais interessadas em campanha de rua que na internet. Isso me leva a fazer um apelo a você: visite mais nosso site. A internet vale mais pelos que a lêem do que pelos que escrevem. Além disso, é um atalho contra a manipulação dos jornalões que insistem em dominar o Brasil.

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