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Política para Indignados

Política para Indignados

Olha o novo Ato Institucional aí, gente

Maria Luiza Franco Busse, RJ

17/02/2018

Quando a Paraíso do Tuiuti estiver desfilando a vitória da verdade na Sapucaí, o Rio de Janeiro já estará sob intervenção militar em nome da segurança pública. Em mais um acordo lesa-pátria-lesa-povo entre o PMDB e as Organizações Globo a governança ilegítima do Vampiro Neoliberalista Michel Temer decretou intervenção federal no Estado. A partir de hoje, o Rio de Janeiro está sendo governado pelo general do Exército Walter Braga Neto.

Os golpistas não chegaram mesmo para brincar. Muito menos no carnaval. O Rio de Janeiro, sempre irreverente para mais e para menos, a ponto de eleger Crivella prefeito, foi o laboratório escolhido para as práticas violentas do atraso e do retrocesso contra os direitos e possibilidades de desenvolvimento social, político, cultural e econômico do povo brasileiro.

Há muito Pezão se entregou aos experimentos de autorregulação do mercado. Só os de boa vontade ainda acreditavam que ele se empenhava em pagar o que devia ao funcionalismo e tentava impedir a demissão em massa dos trabalhadores das indústrias desmontadas pelo entreguismo do Palácio da Alvorada. Esticaram a corda para ver se havia reação. O Estado não parou. A vida seguiu como um piquenique no front.

O que se viu, então, foi a Globo se apropriar da defesa dos desvalidos e dar larga cobertura de apoio aos atos humanitários de distribuição de cesta básica aos sem salário, já demonstrando o que a Tuiuti cantou no seu samba-enredo: ”me dar a escravidão e um prato de feijão com arroz”. Não bastasse também ter servido de porta-voz do filhote de vampiro carioca divulgando as tabelas do pagamento fatiado, cumpriu a tarefa de pegar firme na propagação da violência corrente. Para isso praticou o jornalismo faroeste urbano, sempre pesando na criminalização do pobre e atento na dose de veneno com a institucionalidade policial na preparação do terreno para o grande final da intervenção.

Nós, cariocas do gueto do Paraíso da Tuiuti, pagamos as passagens do Pezão a Brasília para entregarmos o Estado à intervenção. Daqui, os vampiros deram o aviso: não vai rolar nenhuma festa popular. Tudo em nome da segurança nacional dos lesa-pátria. Por fim, estava composto o mantra da desordem institucional em que fomos lançados: corrupção e segurança.

Foi demais a Tuiuti cantando o fim do cativeiro social e a Rocinha exibindo a faixa de que Lula preso a favela vai descer. Mais sério, a faixa não ter sido recolhida pelos donos do morro. Junte-se a isso a mais inaceitável das realidades: a volta de Lula , campeão desta avenida chamada Brasil. Ainda, da Bahia, vem o recado em ritmo de arrocha puxado pelo pagodeiro do alto do trio elétrico: “Vai dar PT, vai dar, vai dar PT, vai dar”.

É isso aí. Vai dar Perda Total na bondade cruel dos senhores do mercado de eleger o candidato que ainda nem conseguiram produzir para continuar o estupro da nossa pátria-mãe gentil, tão cheia de graça e encantos como a de menor que foi para o baile cheia de “má intenção” e inspirou o funk “Vai dar PT”. Na real e na boa, lacrou: “vai dar PT, vai dar, vai dar PT,vai dar”.

Para não esquecer: Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 1968, artigo 3º - O Presidente da República, no interesse nacional, poderá decretar a intervenção nos Estados e Municípios, sem as limitações previstas na Constituição. Temos aí a retomada do sentido antidemocrático pela edição atualizada dos mesmos meios. Exagero? Não. Para lembrar: nada mais parecido com um fascista do que um burguês assustado.

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