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Política para Indignados

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Política para Indignados

Pontos comuns entre Paulo Paim e Requião

J. Carlos de Assis, economista, RJ

26/09/2018

Acusam o senador Paulo Paim por ser contra a reforma da previdência. É como acusar o senador Roberto Requião por defender o interesse nacional na questão do pré-sal. Na rinha eleitoral absolutamente irracional em que nos envolvemos acontecem essas extravagâncias: Paim é acusado por defender o que sempre defendeu numa luta renhida, em especial a da reforma trabalhista, enquanto Requião é questionado por defender a Constituição brasileira, em especial em relação à controvérsia do impeachment de Dilma Rousseff.

É claro que ninguém duvidaria do comprometimento de Paim com as causas populares. Assim como apenas por má fé alguém suscitaria a mais leve suspeita a respeito do comprometimento nacionalista de Requião. Entretanto, o sistema eleitoral brasileiro foi inventado de forma a confundir o eleitor, dificultar seu entendimento e mergulhar todo mundo numa sombra grotesca, na qual só os “especialistas” entram para tentar dar uma explicação razoável do que está acontecendo em seu conjunto.

Por certo que milhões de pessoas do povo conseguem exercer seu senso crítico para encontrar algum parâmetro de orientação em relação a candidatos. Mas a longa e clássica lista de abstenções, de votos nulos e de votos brancos indica uma grande indiferença do eleitorado em relação às eleições. É ruim, porque esses podem ser os melhores eleitores, aqueles que votariam com consciência e que, afinal, estariam exercendo seu legítimo direito de protestar contra o sistema político-partidário, de forma consciente.

Conheço Paim há tempos. Não consigo imaginar político mais preparado para defender o povo do Rio Grande do Sul. Ele se defrontará, porém, com um tremendo obstáculo: a dívida imposta aos gaúchos e a outros cidadãos estaduais há décadas, pela União, e que não possibilitará qualquer gestão decente do Estado se não for cirurgicamente removida. Paim sabe disso e está preparado. Sugeri a ele juntar-se ao Rio de Janeiro e a Minas Gerais, que padecem da mesma doença, para exigir a anulação das dívidas dos Estados junto à União, conforme mostrei num livro, "Acerto de Contas", prefaciado por Requião.

Embora as estratégicas de Paim, buscando um mandato de governador, e de Requião, tentando o terceiro de senador, não sejam exatamente as mesmas, elas convergem num ponto: a transformação das dívidas dos Estados num grande fundo de financiamento como um New Deal brasileiro, ou seja, um grande programa de investimento e de serviços públicos essenciais que arranque o país da depressão e do desemprego. Recursos para isso são gastos sem risco de inflação, como aconteceu no New Deal e no Novo Plano alemão dos anos 30, com o mágico das finanças Hjalmar Schacht.

Marquem esse ponto, pois os neoliberais não gostam de investimento público, inclusive em situação de recessão. Mas eles estão apenas defendendo os próprios interesses financeiros. Quando a economia está em recessão, o investimento público, mesmo deficitário, pode crescer, gerando emprego e renda, porque a definição mesma da recessão é uma situação de demanda baixa. Demanda baixa significa que o povo está comprando pouco, e quando o povo compra pouco os preços caem. Em algum momento no futuro, a demanda aumentará. Nesse ponto será aconselhável cortar gastos públicos, a fim de evitar inflação.

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