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Política para Indignados

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Política para Indignados

Tempos de mudança: de Trump a Roberto Requião

J. Carlos de Assis, economista, RJ

14/06/2018

A vocação para a intriga da imprensa norte-americana é infinita quando se trata de cobertura de fatos internacionais. E a nossa, com suas incompetentes sucursais em Nova Iorque, não consegue cobrir de um ponto de vista independente os fatos do mundo, mas se limita a cobrir a própria imprensa norte-americana. Veja o que aconteceu com a recente visita de Trump à Coreia do Norte: indiscutivelmente foi um passo fantástico para a paz, mas a imprensa deles e nossa acentuou sobretudo o fato de não haver resultados ‘’imediatos”.

Então, quem esperava resultados imediatos? Poderia haver alguma mágica para acabar com sete décadas de guerras e hostilidades entre Estados Unidos e Coreia do Norte no intervalo de dois dias de conversas? Um provérbio chinês diz: Uma viagem de mil milhas começa pelo primeiro passo. A visita de Donald Trump a Kim Jong-un abre uma nova perspectiva mundial não tanto pela expressão individual da Coreia do Norte, um país geograficamente insignificante, mas pelo que patenteia na política externa norte-americana.

Trump já havia anunciado, meses atrás, que os Estados Unidos, em sua nova estratégia, renunciaria aos objetivos de mudar a política (change regime) de outros países. Essa política herdeira da Guerra Fria foi acentuada nas últimas décadas, com destaque na era dos Clinton. Não é bom se esquecer que a sra. Clinton, como chefe do Departamento de Estado, foi a grande patrocinadora da chamada Primavera Árabe, que resultou no linchamento de Kadafi, na Líbia, e na liberação de centenas de milhares de refugiados para a Europa.

Essas duas visões de mundo, a intervencionista dos Clinton e seus assessores geopolíticos, e a de Trump, com seus assessores pragmáticos e nacionalistas, estiveram presentes na campanha presidencial norte-americana. Só que a imprensa norte-americana não viu e não fez questão de percebê-las. Sem fanfarronice, vou dizer que fui um dos poucos jornalistas no mundo que, através de artigos, percebeu que Trump tinha uma mensagem nova, transformadora do mundo, e não era apenas o bufão pintado pela grande mídia.

Expliquei, num artigo, que duas correntes se digladiam no cenário político norte-americano, a dos geopolíticos que querem firmar e expandir o poder internacional do país, e a dos pragmáticos, que querem abrir espaço no mundo para o capital norte-americano, independente de ideologia. Trump, um super-empresário, se encaixa nessa última categoria. Não fosse as intrigas dos adversários, já teria feito um acordo com Putin – coisa que certamente fará, no tempo certo. E isso consagrará uma nova ordem internacional.

Continuarão chamando-o de grosseiro, pouco diplomático. Sinceramente não acredito que um líder de outro perfil teria capacidade igual para mudar o mundo. Em nossa casa, temos algo semelhante. Diante da profundidade da crise em que nos meteram os neoliberais, seria possível uma mudança real com um presidente cordato, como Lula, ou mesmo como um Celso Amorim, o principal cavalheiro de nossa diplomacia soberana, junto com Samuel Pinheiro Guimarães? Só acredita nisso quem não conhece a classe dominante do país.

Conheço poucos líderes no Brasil que poderiam arcar com essa tarefa, mas dentre eles eu destaco um: senador Roberto Requião. Com uma biografia limpíssima, três vezes governador do Paraná, prefeito de Curitiba, duas vezes senador, tendo índices elevadíssimos de aprovação em seu Estado, só não gosta de Requião quem tentou aproximar-se dele para propor picaretagens e foi repelido, alguns expulsos de seu gabinete. A imprensa não gosta dele porque não adulou a imprensa com dinheiro. E a Justiça do Paraná o odeia, porque não deu cobertura, como governador, a suas pretensões financeiras

O Brasil precisa de um Trump, e o Trump brasileiro é Requião. Ambos são nacionalistas autênticos, às vezes impressionando com aparente grosseria que só os homens sinceros manifestam. Mais do que Trump, Requião tem conhecimentos suficientes de economia para tirar o Brasil da profunda crise em que se encontra. Podem supor que falo isso por ser assessor dele. Entretanto, ele não me escolheu como assessor. Eu o escolhi. E se falo nele e em suas qualidades, é porque a grande mídia se nega a falar qualquer coisa a respeito dele.

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