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Política para Indignados

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Trump, a banca e algumas questões em aberto

Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado, RJ

05/03/2018

Aqueles que acompanharam a última campanha para presidente dos Estados Unidos da América (EUA) sabem que a candidata do sistema financeiro, a banca, era Hillary Clinton. A eleição de Donald Trump surpreendeu muitos que consideravam a banca invencível.

Desde então, como fez com Dilma Rousseff, no Brasil, a banca se utiliza dos órgãos de Estado que domina, dos aliados no Congresso, para dificultar, impedir muitas iniciativas de Trump. A banca, lá como aqui, tem a quase totalidade da mídia para vocalizar seus desejos, criar seus embustes, difundir suas falácias e análises preconceituosas.

O que propunha Trump. Com um discurso que todos estadunidenses repetem desde o berço, construir a fantasia da América dos empreendedores, do heroísmo individual, dos filmes de Hollywood. Ou seja, o retorno ao capitalismo industrial, com o Estado dando suporte financeiro, econômico, legal. Em outras palavras, tirar da banca os favores do Estado e colocá-los na produção.

E, com toda oposição, parece que está conseguindo. Vejamos o que escreve o Jornal do Brasil (02/03/2018 – Economia&Negócios): “economia americana segue aquecida” – o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 2,6% no quarto trimestre, confirmando um dado melhor para o primeiro ano de Trump na Casa Branca.

Como sabemos o dinheiro é covarde, foge do risco e corre para as aplicações mais seguras. Em 27/02/2018, a coluna “Acredite Se Puder”, de Nelson Priori no Monitor Mercantil, analisava a carta aos acionistas na qual Warren Buffet propõe aplicações em renda variável (ações, aquisições de ativos de risco) ao invés do conforto das “obrigações”, os Títulos do Tesouro, mesmo com a expectativa de aumento nas taxas de juro. Goldman Sachs, por exemplo, espera que os juros das obrigações dos EUA atinjam 3,25% a.a. ainda em 2018. Hoje estão, no máximo, a 2,9% a.a.

Há coerência nestes dados. Com a produção aquecida, aumenta o emprego, gera demanda e, também, cresce a inflação. Assim, os 3,25% podem resultar em menos do que os 2,9%, em valores reais. Por outro lado, produzindo e vendendo há perspectiva de melhores dividendos. Não foi por má aplicação que a Berkshire Hathaway se tornou a grande aplicadora estadunidense. Buffet tem as informações e as analisa corretamente, como se lê na citada carta.

Mas esta é uma pequena batalha na guerra de vida ou morte que a banca – o capitalismo financeiro – trava com o capitalismo ou socialismo industrial.

Anuncia-se, com estardalhaço o armamento russo, exibido por Putin, que poderia ser um aliado de Trump na luta contra a banca.

Mais uma vez temos que ter a consciência que as comunicações de massa, por todo o mundo, estão quase integralmente nas mãos da banca.

Se Trump resolve, ou é forçado, a desviar recursos para se preparar militarmente para enfrentar a Federação Russa, cairá no mesmo erro de gestão econômica da extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

A República Popular da China (China) tem uma história de isolamento. Não é por acaso. Seu povo, majoritariamente, segue Confúcio, é o único que não colocou na divindade, seja qual for, a sua origem, o seu futuro. É do fundamento confucionista que o homem se faz por ele: “ser desconhecido dos homens sem se perturbar não é a maneira de ser do homem de bem?” (Analectos, I,1).

O Monitor Mercantil de 1º de março de 2018, com dados do Banco Mundial, informou que 34% do crescimento econômico internacional foram devidos à China; “mais do que o total das contribuições dos EUA, União Europeia e Japão”. O “Índice de Gerentes de Compras” (IGC) do setor manufatureiro acima de 50% (ficou em 50,3 em fevereiro/2018) indica expansão.

Temos, portanto, um conjunto de dados, ora ocultados, ora desvirtuados, ora simplesmente fraudulentos, com que a banca pretende que as pessoas atuem em seu favor: criando medos (armas russas), ignorando o crescimento no país que concentra um terço da humanidade e opondo-se ao governo que canaliza recursos para o capitalismo industrial.

No Brasil, lutar contra a banca é opor-se aos golpistas e corruptos que tomaram o poder em 2016: no executivo, no judiciário e no legislativo. Exigir eleições para afastá-los do poder e, com mandatos definidos e não pela idade, obter a renovação integral do Supremo Tribunal Federal (STF).

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