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Referendo Revogatório: Anulando as Patifarias

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Referendo Revogatório

Racionamento da inteligência

Roberto Pereira d'Araujo, Diretor do Ilumina, RJ

12/03/2018

Um racionamento, como o que sofremos em 2001, quando 25% da carga teve que ser "desligada", provocou um grande estrago, pois esse corte só é encontrado em países em guerra ou com desastres naturais! Seria uma lição sobre a importância do planejamento num sistema que, tendo a vantagem da hidroeletricidade, exige uma contrapartida de políticas públicas, coordenação e atenção ao futuro. Infelizmente, não aprendemos.

Um racionamento disfarçado pode ser feito de outra forma, por exemplo, via preço. Atualmente, parte da população vive sob "racionamento" de energia, já que nosso nível tarifário é absurdamente alto. Basta dizer que a tarifa brasileira, apesar de suas vantagens naturais, é a quinta mais cara do planeta. Imaginem o arrocho nas residências, com média de apenas 160 kWh/mês, onde uma geladeira pode "engolir" 60 kWh! Hoje o brasileiro paga o dobro de um norueguês ou de um canadense (sistemas semelhantes). Pior, paga o dobro do que ele mesmo pagava 25 anos atrás! Qual a razão desse aumento? As autoridades não revelam. A razão está sob racionamento.

As autoridades dirão que é uma "racionalização" do consumo, pois, na verdade, estivemos com doses extras de aperto via preço, as bandeiras tarifárias. Divulgadas em reais por 100 kWh para parecer "baratinhas", na realidade, quando comparadas à parcela de energia, chegam a aumentos de mais de 16%!

Apesar das chuvas, os reservatórios estão baixos desde 2013 e o culpado fácil é S. Pedro. Mas, rios não são apenas chuva. Rios são geografia e meio ambiente e nós estamos tirando nota zero nesse tema, vide Rio Doce. Imaginar hidroelétricas como se fossem apenas fábricas de kWh é desconhecer a realidade. Vender a Eletrobras como se fosse apenas uma "caixa registradora" desses kWh é uma irresponsabilidade.

Há um desejo disfarçado de "gerenciar" o consumo. As autoridades chamam de "sinais de preço", mas, na verdade, há uma preocupação com o suprimento. Uma redução da carga poderia ocorrer de outra maneira, mas o país que não aprende não acorda. Basta olhar para cima e ver uma enorme fonte de energia, o sol. Usinas fotovoltaicas nos telhados seriam percebidas pelo Operador como redução de demanda, exatamente o que o acabrunhado racionamento via preço quer. Os valores usados nos projetos fotovoltaicos no Brasil oscilam entre 0,7 kWh/dia e 1,5 kWh/dia para cada metro quadrado. Portanto, no valor mais baixo, uma área de 10 metros quadrados pode produzir 7 kWh/dia, aproximadamente o baixo consumo médio residencial.

Quando se cita que, para gerar toda a energia elétrica consumida no Brasil, necessitaríamos de aproximadamente 3.000 km2, um pouco mais de 10% da área do estado do Sergipe, as pessoas ficam espantadas. Devem ficar mesmo, mas não pelo número e sim pelo atraso brasileiro. Impostos de importação, atraso tecnológico e falhas de regulamentação encarecem essas usinas que, inclusive, poderiam exercer uma política pública social. A Alemanha, com muito menos insolação, já chega perto de 20% de eletricidade fotovoltaica.

Ora, essa tecnologia produz uma redução da carga justamente nessa época de baixos reservatórios. Mas, sob a volúpia do mercado, nem começamos a estudar os efeitos sistêmicos e benéficos que justificariam uma política pública do tamanho da nossa insolação! O CEPEL, centro de pesquisa da Eletrobras, autor de toda a metodologia de operação vigente, seria capaz de fazê-lo. Ao invés disso, está ameaçado pela venda da Eletrobras para tapar buracos fiscais do governo.

É verdade que os reservatórios permaneceram vazios, é verdade que a carga estagnada já está mostrando os efeitos da crise econômica e do preço, mas o pior racionamento é o da inteligência.

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